09 fevereiro, 2010

Possessões incompreensíveis

Deveria haver alguma especie de sentido para o que vier depois. Nesse mundo há pessoas que não reparam nas ausencias antes que alguem evidencie o vácuo. Sentir deveria ser igual a contar.
Meu coração sangrou com uma dor que não consegui comunicar a ninguém, recuso todos os toques e ignoro todas tentativas de aproximação. Tive vergonha de gritar que esta dor é só minha, de pedir que me deixem em paz e só com ela, como um cão com seu osso. E a presença das estrelas é a unica que aceito.

Acordo exausta. Fugas cansam, e digo pra mim mesma que está errado, que não é assim, que não é este o tempo, que não é este o lugar, que não é esta a vida, e fico horas sem pensar absolutamente nada. Não sei se você concorda, as coisas por natureza já são tão duras para mim que não me acho no direito de endurecê-las ainda mais. Exigir o eterno das emoçoes me parece justo, pois a vida não cabe na xicara do meu café. Se meu corpo fosse fechado poderia ter me poupado de tudo isso. Os sentimentos nos possuem, nos dominam. Então, vivo me repetindo. Porque o hábito é um antidoto. É só esquecer de esqucer - foi o poeta quem disse.

Tive todo o amor um dia. E de repente me proíbem isso. Eu tenho me sentido muito mal vendo minha capacidade de amar sendo destroçada, proibida e impedida. A insingnificancia doe. Queria poder me apertar contra ele, e ficar apertada assim porque nos completavamos desse jeito. O corpo dele sendo a metade perdida do meu.
Então, fiquei só, aos poucos. Junto com ele foi muito de mim. E aos outros eu não fiz questão de oferecer meus doces, fui afastando essas gentes assim menores, e não ficaram muitas outras. E não pense que eu vivo em depressão. Eu não vivo. Nem choro mais. Na verdade, nem sequer entendo por que digo 'mais', se não estou certa se alguma vez chorei. Acho que sim, um dia. Quando havia dor. Agora só resta uma coisa seca. Dentro, fora e pelas bordas.

02 fevereiro, 2010