23 janeiro, 2013

A culpa não é das estrelas

Prezado Sr. John Green

Meu nome é Luara, só Luara. Não tenho nenhum amigo que possa conseguir seu e-mail, mas tenho muitos amigos que leram A culpa é das estrelas. A verdade é que eu não espero que você leia isto que estou escrevendo, no entanto acho – muito- que deveria. E também, não acredite que irei facilitar nada para você, estou escrevendo por estar extremamente indignada e encantada com seu livro – sendo assim, é melhor conseguir um bom tradutor.

Sr. Green, eu realmente entendo que você deve ter se esforçado bastante para criar personagens tão fantásticos quanto a Hazel e o Augustus, no entanto por que você sacaneou tanto a vida deles? Quer dizer, sei que o livro não é baseado em nada real até então, também sei que você deixou isso claro ao final da história, só que eu não aceito. Pense comigo, já não basta a realidade ser uma grande merda para quem sofre câncer, para quem sofre qualquer doença, para quem sofre de amor? Então, ao se deparar com sua história não conseguimos encontrar nenhuma válvula de escape, nenhuma estrala guia, nenhum anuncio que diga em letras neon que “tudo vai ficar bem”. Onde está o “tudo vai ficar bem” da Hazel e do Augustus? Onde? Você bateu a cabeça e se esqueceu disso ao escrever o livro?

Não sou nenhuma sobrevivente de câncer, porém posso te garantir que o amor pode ser uma amostra tanto de quimioterapia quanto de seus órgãos jogando verdade ou mentira com você mesmo. Se você estivesse na minha frente agora, provavelmente estaria com seu livro em uma mão e te torturando com a outra: por que a morte de Augustus teve que acontecer? Você não percebeu o quanto que a Hezel precisava dele? Foi tão difícil perceber que milhares de pessoas precisavam ler e acreditar que ao final do livro encontrariam mais um clichê para acompanhá-los até a cama? Um clichê certo, algo bonito e S-E-M M-O-R-T-E-S! Era sua obrigação trazer esperanças para milhares de leitoras que gastaram mais em lenço de papel do que em roupas.

Tudo bem, a verdade é que você foi um grande covarde. Um covarde que escreve muito bem, mas um covarde manipulador de atmosferas. Eu gosto de você só que não gosto. Mas, caso você queira atingir algum nível de simpatia perante a mim, espero que me responda o que acontece com a Hazel, ela morre? Ela encontra Augustus em algum lugar no céu? Seus pais continuam juntos? Não seria uma boa ideia que Hazel ganhasse um irmãozinho? Sei que a questão de dinheiro é considerável, mas talvez. E o balanço da Hazel, os novos donos são legais? E o Peter Van Babaca? Ele escreveu uma continuação de uma aflição imperial? Você consideraria possível que algum milagre acontecesse na vida dela? Talvez uma cura, talvez um novo livro em que você esclarecesse que o primeiro não passou de um sonho e Hazel e Augustus estão perfeitamente saudáveis, safados e felizes em algum quarto de hotel na Holanda?

Amores assim como o Sr. descreveu em A culpa é das estrelas merecem uma cartela de chances, espaços maiores no tempo e alguns infinitos extras. Quando terminei de ler seu livro me perguntei se por acaso existiria alguma Hazel por aí experimentando o amor com algum Augustus cheio de metáforas. Se existir, realmente, eu espero que elas não comprem seu livro. Enquanto isso, adoraria ler qualquer outra coisa que você resolver escrever. Mas, para ser sincera, eu não me contentaria com sua lista de supermercado.

A culpa não é das estrelas, a culpa é nossa por cada vez que não demonstramos amor o suficiente. A culpa só existe quando não somos bons para fazer o que deveríamos ter feito, quando mesmo com amor não percebemos que deveríamos amar.

Atenciosamente e já não tão indignada,
Luara.

26 comentários :

Camila Vieira disse...

Nossa eu realmente me emocionei com as suas palavras,isso aí,a culpa não é das estrelas,a culpa é de quem não demontra o amor,de quem desiste na primeira dificuldade,de quem não insiste na felicidade,de quem inventa mesmo que para se esconder em seu próprio mundo de dor,que não não há escape,que não há solução,que não há escolha.Falhas,são muitas falhas.Quando há amor,há solução,porque o amor preenche todo os vazios esburacados construidos pela dor,doença ou dificuldade.E o J.Green tirou isso da Hazel,tirou o que ela tinha de bom,o que ela tinha de esperança,tirou o amor!

http://cami-lices.blogspot.com.br/

Natália Bap disse...

Olá, gostei muito da carta que escreveste ao autor do livro. Mas fiquei intrigada com o fato de tu não teres gostado do fim do livro...
Não sei se é porque eu, particularmente, gosto de livros com um fim mais "real" do que um "felizes para sempre", mesmo que isso pareça um pouco assustador eu prefiro livros assim. Se na vida tudo dá "errado" mesmo, deveríamos nós escapar para um livro cheio de romances melosos e finais extremamente felizes cheios de fogos de artificios? No meu ver, isso é pura ilusão.
No caso de algum paciente com cancer, ou alguma doença mais rara, eu concordo, pode ser assustador, destruir algumas esperanças e ect e tal. Mas se fosse na vida real, a propabilidade dele morrer seria muito maior...
Ele foi real, ao tirar o que Hazel tinha como esperança. Talvez ele quisesse nos ensinar a enfrentar nossos problemas sabendo que eles podem, e em alguns casos irão, piorar e com isso nos fazer entender que não podemos perder nossa fé, que devemos acreditar na nossa vitória mesmo que tudo que tivermos em mão se vá.
Enfim, devo parecer egoísta em alguns trechos, mas é porque nunca consigo demonstrar meus sentimentos de forma limpa na escrita :(
Ps: Essa foi só minha opinião, e gostaria de saber mais do porque não gostaste do fim. Obrigada pela atenção.

Luara Quaresma disse...

Oi Nati! Então, por diversos instantes me reconheci em algumas de suas palavras, reconheci o que não queria reconhecer: que talvez você tenha razão. Mas, às vezes tudo que precisamos é de menos realidade.

O livro é lindo, eu gostei muito dele e nos surpreende tb, algo que falta muito na literatura atual. Mas, foi só isso. Green, trouxe só isso. Não acho que ele foi fiel a Hazel e necessito mesmo saber que esse fim não é o fim. Sempre preferi recomeços.

Jéssica Lacerda disse...

Lu, eu ri do modo como você mostrou-se indignada por que foi exatamente a mesma reação de, acredito eu, todas as pessoas que leram "A culpa é das estrelas". Impressionante como você consegue ser aborrecidamente doce com alguém. haha... Amei sua crítica, achei muito bem escrita e ainda melhor divulgada. Quero ter as mesmas esperanças que você tem ao lidar com tudo, até mesmo com uma história que não foi real, mas que no coração de quem ama ler, se torna verdadeira e parte do seu cotidiano.

Jessica disse...

nossa, voce tem toda a Razão Luara.

Letícia disse...

Cara Luara, não entendo esta ansia por finais felizes, antes o meio ser feliz eo final triste do que meio triste final feliz, pois o desenvolver sempre significa mais felicidade do que o final. Pois o meio é a história, o final é apenas a possibilidade para um recomeço. A história é que vivemos é que fica, o fim é apenas um ponto, um desfecho para localizar o meio, que infelismente não é infinito.

Camila disse...

Seguindo e te linkei no blog :)
Bjos

Anônimo disse...

Ele não tem obrigação de nada, acho que você deveria ler conto de fadas, onde os finais felizes são certeza, a vida é uma merda e depois você morre, alguma pergunta?

Luara Quaresma disse...

Na verdade eu tenho sim, uma, talvez várias. Mas, no momento me contento em saber algo: seu comentário mudou a sua vida? Porque a minha não (:

SonhadoreS disse...

"Escrevo pra me esvaziar e preencher o mundo." Assim q eu me sinto!
Adorei seu blog... Voltarei mais vezes! Aproveito para convidar para visitar o meu http://sempre-sonhadores.blogspot.com.br/ Espero que goste! Obrigada!

Fernanda disse...

Na minha opinião, John quis escrever um livro com o mesmo fechamento que "Uma Aflição Imperial". Nós não sabemos o final ao certo e continuamos presos a história se perguntando "como seria se" e "o que aconteceu com". Assim criando uma obra tão viciante quanto o de Peter Van Houten.

Drake disse...

Vocês já leram por ai que a Hazel não é "inventada"... A sua personagem foi baseada em uma garota com o mesmo tipo de câncer e idade que a Hazel tem no livro... Seu nome era Esther, ela morreu em 2010 e segundo pesquisas que venho fazendo, os fatos são verdade mesmo. O Sr. Green conheceu a Esther em uma convenção de fãs de harry potter e em algum momento antes da publicação do livro ele dedicou o mesmo à Ela!

Luana' disse...

Lu, eu também fiquei chatiadíssima sobre o final do livro. Queria muito saber sobre o que aconeceu com a Hazel depois, se o Peter Van Babaca publicou o final que o Gus lindo tinha escrito, se a Hazel morreu e até mesmo, assim como você, sonhei que a Hazel teria um lindo irmãozinho no final. Mas, mesmo assim, pensei que talvez esse final foi feito por que o John queria um final do tipo do UAI. Pra deixar todos com as imaginações a mil, esperando por algo que ele não irá escrever (tão cedo, pelo menos). Chorei muito, por dentro, por que sou dura feito uma pedra e nenhuma lágrima conseguiu sair. hahaha Um beijo, Lu. Gosto muito do seu blog, do seu tumblr, do face, te acompanho em tudo! Muito sucesso ♥

Anônimo disse...

Luara, posso te dar um abraço?

Jéh Luizetto disse...

Concordo com você Luara, acabei de ler o livro e tbm quero saber o que aconteceu com a Hazel, sério, to me sentindo a Hazel que queria saber o fim de Uma Aflição Imperial... Gostei do livro, e tenho esperança que ele escreva uma continuação...

Jennifer lima disse...

John Green quis deixar o final para nos fazermos,assim com Peter babaca em (uai) cabe a nossa imaginação fazer um final pra ele. eu quis fazer o meu final mais próximo da realidade possível,não gosto de enfatizar muito as coisas;pra mim Hazel vive por algum tempo,mais não muito,Issac consegue os "olhos do futuro",e com eles consegue ver por dentro das blusas das meninas,os pais de Hazel ficam juntos,e a mãe dela passa naquele teste de sei lá oque que ela estava fazendo,os pais do gus vão levando a vida como da. Não imagino o gus em uma vida pós morte esperando por Hazel,não que não acredite em vida pós morte,acredito sim,acredito no céu,mas acredito que após a morte esquecemos tudo que vivemos nesse mundo. Peter babaca segue o conselho de Hazel,deixa de ser bebum e escreve um livro que faz muito sucesso(no final ele nem era tão babaca assim) rs

Anônimo disse...

O livro de qualquer geito e uma bela e cara merda massante e sem criatividade eles deveriam morrer antes do fim do cap 1

Duda Leto disse...

Quando li esse livro no final de 2011, minha reação foi exatamente a mesma, Luara! hausha eu me vi nessa carta, eu fiquei extremamente frustrada e cheia de perguntas, na verdade eu queria matar o tio Verde. Eu realmente queria arrancar a cabeça dele.
Vi pessoas meio grossas nos comentários, coisas do tipo "o mundo tá na merda e você deveria colocar os pés no chão" (isso foi só um exemplo), mas eu acho que, se o mundo está tão ruim, nós devíamos de vez em quando ler alguma ficção, porque, de que adianta viver nesse "mundo de merda" sem ao menos viver no "país das maravilhas" às vezes? Eu amo ficção fantástica, e realmente esperava um final feliz para esse livro, mas foi exatamente igual a uma aflição imperial o final de a culpa das estrelas. Hoje eu não ligo muito pra isso, afinal, já passaram-se três anos desde a primeira vez em que li, mas confesso que em todas as minhas "releituras" de tfios bate aquela curiosidade do "e depois, o que acontece"?

Luara, eu amei a carta e preciso dizer que amo suas frases, textos e poemas. Acompanho o seu trabalho acho que desde 2012 por causa do tumblr e desde então sou fã da sua escrita. Espero que um dia você seja reconhecia não só na Internet ou no Brasil, mas que seja reconhecida mundialmente porque você escreve não só com o coração, você escreve com a alma!
Abraços, Eduarda Preto. :)

Anônimo disse...

eu acho que o livro e o filme sao muito bons porem vc esta enganada,e pq finais felizes as vezes temos de cair na realidade e parar de pensar apenas em m final feliz,acho que vc apenas fez esta critica pois deve estar intrigada por algo de ruim que aconteceu com vc sendo que vc queria tudo perfeito como todos

Catarina Portela disse...

desculpa, mas eu acho que ele escreveu esse livro pra alguem que sofre com alguma doença sem cura, pensa comigo, se coloca no lugar de hazel,ela nao escolheu estar com cancer e nem escolheu em se apaixonar por um garoto doente,mas aconteceu,esse livro foi escrito para alguem que se apaixona por alguem que tem alguma doença sem cura entenda que um dia ele vai morrer e machucar as pessoas ao seu redor e essa pessoa tera que superar, pois nao escolheu se apaixonar por aquela pessoa com uma doença fatal, esse livro mostra uma triste e linda realidade,nao são todas as historias que tem finais felizes, se vc nao gosta de filmes que mostram uma realidade vai assistir contos de fadas cara... desculpe nao concordo com você
vc está julgando o livro por nao ter um final feliiz? mas como essa historia de amor teria um final feliz?Impossivel, uma pessoa com cancer com certeza esta perto da morte e nao tem nada que ela possa fazer para impedir

Millena Souza disse...

Oi Lu como vai ? Então, achei sua crítica bem construtiva, porém não li o livro, vi o filme que lançou. Bom, sei bem como termina o livro e é um desfecho que tipo, ela aceita. O que ela aceita ninguém sabe, não se sabe se ela aceita viver com a dor de perder o Gus ou ela aceitar morrer. Porém, no filme, ela morre. É uma cena em que ela deita no grama, com uma carta que o Gus fez para ela e mandou por email para Peter Van Hunter, e ele entregou para ela no enterro de Gus. Ela abraça e a carta e morre com ela nos braços. Ela tira o aparelho respiratório de seu rosto. E acaba o filme. Espero ter ajudado, beijos !

Anônimo disse...

Vc se apegou tanto ao o livro que fez uma carta, quase igual a que a hazel fez para o van do a alfliçao imperial, a historia é linda e muito emocionante, o fim foi oq deverei ter acontecido msm, esse foi o desfecho, o autor fez muito bem, ate pqr o livro dele é dedicado a Esther a menina com cancer. Vc simplesmente imitou a carta da hazel ;)

Diegolive disse...

Luara, pelo que eu entendi, a ideia do autor foi justamente essa: deixar várias dúvidas assim como fez o escritor babaca representado brilhantemente por Willem Dafoe...Ou seja, o livro utiliza o recurso da metalinguagem. Desculpe se você já tinha sacado isso e por isso fez a carta, é porque vc não deixa isso muito claro...

dudinha disse...

ai meu deus o jonh tem q ver isso
eu so meio americana prometo quando for fala vou fazer de tudo pra ele ler

Anônimo disse...

Calma jovem é só um livro/filme ¬¬', não passa de ficção, então não há necessidade de tanto alarme. Nem sempre em uma história tem que ter final feliz, como adultos já podemos ser capazes de entender que alguém com uma doença irreversível só resta esperar o momento chegar, não iria cair frascos de cura contra a leucemia, mesmo sendo uma ficção, o autor seguiu o que de fato acontece na realidade.

Anônimo disse...

eu concordo e discordo de você, mas ao meu ver o livro foi "real", ele mostrou o que acontece,porque as pessoas se vão, mas o importante é o que elas deixam para nós. E é só uma "teoria" minha mas talvez Hazel tenha morrido no final. e Peter Van continuou sendo o mesmo babaca sofrido pela perda de sua filha, mas acredito que Hazel tenha o tocado ao menos um pouco.E para mim, a Hazel somos nós, simplesmente, pessoas que perdem as esperanças todos os dias, e que perdem pessoas especiais.
OBS: ADOREI SUA CRÍTICA, foi íncrivel. Parabéns