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09 outubro, 2013

Quatro anos de nossas vidas



[Texto original]

“O que queres que te diga, além de que te amo
se o que quero dizer-te é que te amo?”
Fernando Pessoa.


POR QUE VOCÊ SE APAIXONOU POR ELE?
Tudo foi motivo, na verdade acho que o amor já começou antes mesmo de eu me dar conta de como os olhos deles são lindos...Amei fácil, apesar de ser tão difícil. É como respirar. Você presta atenção na sua respiração? É algo vital e involuntário, você respira e sente que precisa disso.

VOCÊ TEM CERTEZA DO PRA SEMPRE?
Nossos pulsos nos convencem disso, se não como seria possível amar tanto alguém? Essa certeza já vem de outras vidas, porque sei que apenas uma não seria suficiente. O amor é exigente ele quer a eternidade independente do tempo que dure.

O QUE VOCÊ MAIS GOSTA NELE?
Todo dia ele me apresenta um motivo novo, mas com certeza é a sua insistência em me fazer feliz. Sinto que ele me ama até quando não mereço e ele respeita meus silêncios, ao invés de palavras ele me traz pra perto e não me deixa sair do seu abraço até que perceba que tudo vai ficar bem. 
Me encontro quando tenho tato dele. 

EM QUATRO ANOS O QUE MUDOU?
Bem, algumas coisas se intensificaram; percebemos que o mundo ficou melhor, agora é tão fácil ser feliz. O amor faz isso com a gente, apesar dos medos, criamos coragem para insistir em nossas mãos dadas. Dias difíceis se tornam apenas maneiras do Universo nos mostrar o quanto precisamos ficar juntos, que um amor assim é razão para viver.

E O QUE ELE TE ENSINOU?
O Mateus me ensina muito, mas aprendi, principalmente, que esperar e arriscar é muito bom. Temos a impressão que nunca encontraremos a pessoa certa, só que no momento em que nosso coração sente uma urgência, um desespero para sair de nós e ir até alguém, é porque mesmo parecendo impossível ou errado, é essa a pessoa que vai te dar os melhores dias de sua vida. O amor não marca hora, ele acontece e não aceita desculpas.

E O QUANTO VOCÊ O AMA?
Ah, ainda não criaram um sistema métrico capaz de demonstrar isso, o amor em si me parece pouco para traduzir a gente. Assim...desse tamanho é o universo comparado ao amor que sinto por ele.


23 janeiro, 2013

A culpa não é das estrelas

Prezado Sr. John Green

Meu nome é Luara, só Luara. Não tenho nenhum amigo que possa conseguir seu e-mail, mas tenho muitos amigos que leram A culpa é das estrelas. A verdade é que eu não espero que você leia isto que estou escrevendo, no entanto acho – muito- que deveria. E também, não acredite que irei facilitar nada para você, estou escrevendo por estar extremamente indignada e encantada com seu livro – sendo assim, é melhor conseguir um bom tradutor.

Sr. Green, eu realmente entendo que você deve ter se esforçado bastante para criar personagens tão fantásticos quanto a Hazel e o Augustus, no entanto por que você sacaneou tanto a vida deles? Quer dizer, sei que o livro não é baseado em nada real até então, também sei que você deixou isso claro ao final da história, só que eu não aceito. Pense comigo, já não basta a realidade ser uma grande merda para quem sofre câncer, para quem sofre qualquer doença, para quem sofre de amor? Então, ao se deparar com sua história não conseguimos encontrar nenhuma válvula de escape, nenhuma estrala guia, nenhum anuncio que diga em letras neon que “tudo vai ficar bem”. Onde está o “tudo vai ficar bem” da Hazel e do Augustus? Onde? Você bateu a cabeça e se esqueceu disso ao escrever o livro?

Não sou nenhuma sobrevivente de câncer, porém posso te garantir que o amor pode ser uma amostra tanto de quimioterapia quanto de seus órgãos jogando verdade ou mentira com você mesmo. Se você estivesse na minha frente agora, provavelmente estaria com seu livro em uma mão e te torturando com a outra: por que a morte de Augustus teve que acontecer? Você não percebeu o quanto que a Hezel precisava dele? Foi tão difícil perceber que milhares de pessoas precisavam ler e acreditar que ao final do livro encontrariam mais um clichê para acompanhá-los até a cama? Um clichê certo, algo bonito e S-E-M M-O-R-T-E-S! Era sua obrigação trazer esperanças para milhares de leitoras que gastaram mais em lenço de papel do que em roupas.

Tudo bem, a verdade é que você foi um grande covarde. Um covarde que escreve muito bem, mas um covarde manipulador de atmosferas. Eu gosto de você só que não gosto. Mas, caso você queira atingir algum nível de simpatia perante a mim, espero que me responda o que acontece com a Hazel, ela morre? Ela encontra Augustus em algum lugar no céu? Seus pais continuam juntos? Não seria uma boa ideia que Hazel ganhasse um irmãozinho? Sei que a questão de dinheiro é considerável, mas talvez. E o balanço da Hazel, os novos donos são legais? E o Peter Van Babaca? Ele escreveu uma continuação de uma aflição imperial? Você consideraria possível que algum milagre acontecesse na vida dela? Talvez uma cura, talvez um novo livro em que você esclarecesse que o primeiro não passou de um sonho e Hazel e Augustus estão perfeitamente saudáveis, safados e felizes em algum quarto de hotel na Holanda?

Amores assim como o Sr. descreveu em A culpa é das estrelas merecem uma cartela de chances, espaços maiores no tempo e alguns infinitos extras. Quando terminei de ler seu livro me perguntei se por acaso existiria alguma Hazel por aí experimentando o amor com algum Augustus cheio de metáforas. Se existir, realmente, eu espero que elas não comprem seu livro. Enquanto isso, adoraria ler qualquer outra coisa que você resolver escrever. Mas, para ser sincera, eu não me contentaria com sua lista de supermercado.

A culpa não é das estrelas, a culpa é nossa por cada vez que não demonstramos amor o suficiente. A culpa só existe quando não somos bons para fazer o que deveríamos ter feito, quando mesmo com amor não percebemos que deveríamos amar.

Atenciosamente e já não tão indignada,
Luara.