Prezado Sr. John Green
Meu nome é Luara, só Luara. Não tenho nenhum amigo que possa conseguir seu e-mail, mas tenho muitos amigos que leram A culpa é das estrelas. A verdade é que eu não espero que você leia isto que estou escrevendo, no entanto acho –
muito- que deveria. E também, não acredite que irei facilitar nada para você, estou escrevendo por estar extremamente indignada e encantada com seu livro – sendo assim, é melhor conseguir um bom tradutor.
Sr. Green, eu realmente entendo que você deve ter se esforçado bastante para criar personagens tão fantásticos quanto a Hazel e o Augustus, no entanto por que você sacaneou tanto a vida deles? Quer dizer, sei que o livro não é baseado em nada real até então, também sei que você deixou isso claro ao final da história, só que eu não aceito. Pense comigo, já não basta a realidade ser uma grande merda para quem sofre câncer, para quem sofre qualquer doença, para quem sofre de amor? Então, ao se deparar com sua história não conseguimos encontrar nenhuma válvula de escape, nenhuma estrala guia, nenhum anuncio que diga em letras neon que
“tudo vai ficar bem”. Onde está o
“tudo vai ficar bem” da Hazel e do Augustus? Onde? Você bateu a cabeça e se esqueceu disso ao escrever o livro?
Não sou nenhuma sobrevivente de câncer, porém posso te garantir que o amor pode ser uma amostra tanto de quimioterapia quanto de seus órgãos jogando verdade ou mentira com você mesmo. Se você estivesse na minha frente agora, provavelmente estaria com seu livro em uma mão e te torturando com a outra: por que a morte de Augustus teve que acontecer? Você não percebeu o quanto que a Hezel precisava dele? Foi tão difícil perceber que milhares de pessoas precisavam ler e acreditar que ao final do livro encontrariam mais um clichê para acompanhá-los até a cama? Um clichê certo, algo bonito e
S-E-M M-O-R-T-E-S! Era sua obrigação trazer esperanças para milhares de leitoras que gastaram mais em lenço de papel do que em roupas.
Tudo bem, a verdade é que você foi um grande covarde. Um covarde que escreve muito bem, mas um covarde manipulador de atmosferas. Eu gosto de você só que não gosto. Mas, caso você queira atingir algum nível de simpatia perante a mim, espero que me responda o que acontece com a Hazel, ela morre? Ela encontra Augustus em algum lugar no céu? Seus pais continuam juntos? Não seria uma boa ideia que Hazel ganhasse um irmãozinho? Sei que a questão de dinheiro é considerável, mas talvez. E o balanço da Hazel, os novos donos são legais? E o Peter Van Babaca? Ele escreveu uma continuação de uma aflição imperial? Você consideraria possível que algum milagre acontecesse na vida dela? Talvez uma cura, talvez um novo livro em que você esclarecesse que o primeiro não passou de um sonho e Hazel e Augustus estão perfeitamente saudáveis, safados e felizes em algum quarto de hotel na Holanda?
Amores assim como o Sr. descreveu em A culpa é das estrelas merecem uma cartela de chances, espaços maiores no tempo e alguns infinitos extras. Quando terminei de ler seu livro me perguntei se por acaso existiria alguma Hazel por aí experimentando o amor com algum Augustus cheio de metáforas. Se existir, realmente, eu espero que elas não comprem seu livro. Enquanto isso, adoraria ler qualquer outra coisa que você resolver escrever. Mas, para ser sincera, eu não me contentaria com sua lista de supermercado.
A culpa não é das estrelas, a culpa é nossa por cada vez que não demonstramos amor o suficiente. A culpa só existe quando não somos bons para fazer o que deveríamos ter feito, quando mesmo com amor não percebemos que deveríamos amar.
Atenciosamente e já não tão indignada,
Luara.