23 maio, 2012

Pulso

Não faz isso comigo, não me faz de resto. Nada nesse mundo pode doer mais do que sentir sua falta, a casa toda enfatiza que precisa ser preenchida por você e meu coração concorda com isso. É impossível descartar o som do teu riso, não concordo com esses dias em que você não está para corrigir a minha falta de jeito com o mundo.

Algum tempo depois e eu ainda te amo. Muitas xícaras de café e eu ainda te espero. O sofá desistiu de me consolar, o relógio se esforça para me mostrar que devo continuar, no entanto nem o açúcar pode me salvar.

Antecipo o medo de nunca mais poder te sentir, bato na porta da tua casa na mesma intensidade que meu coração bate por você. Todo clichê do mundo é protagonista pra te mostrar que somos mais presente do que passado.

Entenda que preciso ver você brigando comigo por te fazer se atrasar manhã sim e manhã também, quero te ver me enlouquecer com tua indecisão, ficar admirando teu cabelo molhado, te lembrar de colocar sal na comida, de colocar tua boca na minha. Quebre os pratos, grita e diga que eu não presto, me tortura, me esfola, mas não me deixa depois disso tudo ficar sem você em meus braços.

Me deixa comemorar nossa vida, vou te mostrar que mesmo errado eu não sou teu engano. O seu sorriso é responsável pelo meu pulso, teus olhos me impedem de pensar em qualquer outra coisa que não seja no quanto as estrelas são insignificantes perto de ti.

Volta, que meu endereço continua mesmo.
Estou te esperando de braços abertos, barba feita e flores na janela.

*Encomendado por Ivan B. para Regiane S.


Nota da autora: Ele te ama muito, menina!

17 maio, 2012

Yesterday


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O sol continua existindo e eu continuo a mesma, só que diferente. Sei que todos esses anos acumulados não responderam nossas perguntas, tentei prestar atenção no que você queria me esforcei para enxergar você como passado, coloquei o coração no mudo e consegui. Então você simplesmente volta e me diz que confia no destino, como se pudéssemos trazer para o hoje nosso ontem.

Escolhas por si só interrompem ou concretizam sorrisos, talvez a gente ficou em dúvida por não reconhecer a certeza do que sentíamos. Agora meu nós não é o nosso, e tudo que posso te dar são dias com interrogações, não sei se será para sempre ou se um até breve. Busco justificativas por saber não saber.

Também gosto de nossas lembranças, mas não quero precisar delas. No entanto, sei que nos encontramos apenas por tentar nos extraviar. Sei que nunca me perderei do que um dia me fez ser sua, mas aprendi a ignorar o que não foi suficiente. Nenhuma poesia conterá nossos nomes porque já não posso mais pensar em você.

Uma vez você me disse para não deixar quem me ama longe e tudo que eu quero é que não me deixem distante. A espera sempre pareceu fácil para você, pois você foi capaz de continuar outra vida quando a minha ainda estava emendada na sua. E isso traumatiza qualquer sentimento, você se foi cada vez mais.

Você coloca vírgulas na minha vida pelo simples fato de existir, mas o agora se tornou um impossível concreto demais para me convencer de qualquer tato seu. E apesar de tudo você continua aqui, onde você simplesmente se deixou antes. O nós em que meu eu se encontra agora é o que quero, e não por ser ou não o suficiente, mas por me pertencer. É involuntário, ainda te culpo e rezo para o dia que isso não aconteça mais, pois também errei.




Toda fuga é uma forma de aproximação, 
pois só afastamos algo quando decidimos
fazer desaparecer o que não nos deixa ficar.




Enquanto você acredita no ontem eu tenho esperanças no amanhã.

10 maio, 2012

Espinhos

Hoje eu percebi que não dá para salvar o mundo, estou desbotada de tentativas. O engraçado é que a maioria das pessoas só reparam nos problemas quando alguém evidencia. E esse alguém tem que ter coragem para isso, e mesmo assim percebi o tamanho do erro.

Penso que o mundo está do jeito que está- largado as traças -, largado a nós pelo simples fato de ninguém se importar com nada além do próprio umbigo. A injustiça maior ocorre quando apenas uma pessoa quer reparar o que não está certo e todo o resto acha mais interessante culpá-la pelo buraco na camada de ozônio.

Não sei se tenho mais dó de mim por ainda ter esperança ou das outras pessoas por terem se perdido dela. Não dá para fazer as coisas ficarem melhores quando ninguém entende o que isso significa. Melhorar não dói, no entanto parece desaforo para tudo que somos.




                                        Vou guardar esse meu jeito super-herói para as flores.