22 fevereiro, 2008

Tutti frutti


Como era mais fácil quando eu era capaz de brincar com os anjos – sinto falta dos meus 8 e poucos anos...

Agora me apoio sobre minha janela e me debruço sobre meus erros extravagantes e comuns. Eu me encaro no espelho, eu cresci – e ninguém me perguntou se era isso que eu queria. Eu não quero amadurecer, não quero aprender, não quero envelhecer e não quero me esquecer das coreografias de Sandy & Jr ou da Xuxa.

Eu não caibo mais no colo dos meus pais e o mertiolato já não cura todas as minhas feridas – não vai ficar tudo bem, a temperatura está mudando.

E a cada dia que morre eu cresço mais, meu corpo se transforma e minha cabeça entra em colapso – as vezes parece que a Sapucaí toda se encontra dentro dela.

Tento ver o lado bom – afinal, sempre tem. Em minha opinião existem três lados: o bom, o ruim e o muito ruim -, enfim logo terei minha liberdade terei uma carteira de motorista. Satisfação. E o pior de nossos problemas é que ninguém tem nada a ver com isso.

Vou abrir a porta da frente, evitar a foto sobre a mesa, e ninguém aqui vai notar
que eu jamais serei a mesma.

Pintar as unhas de vermelho pra disfarçar a vontade de brincar – agora eu sou uma moçinha, se comporte como uma.

O salto me impedira de subir em árvores, então, vou apenas beijá-las.

Como era bom se lambuzar de barro e brincar de salvar o mundo, as lições de casa era fazer um desenho – cores -, eu apontava os lápis e desenhava um sol e bonequinhos de palito – sim, esse mesmo -, mas não era bonequinhos de palito comuns eu desenha coração neles.

Tomar Coca-Cola e comer Trakinas era um manjar, eu não me preocupava se iria entrar naquela calça no dia seguinte, eu não precisava agradar e nem surpreender ninguém. Eu era uma criança. Eu não ficava com dó ou de consciência pesada por ter dito alguma verdade – verdades, como elas me atraem -, crianças são sempre tão transparentes. Ganhava goma de mascar, era uma diversão, eu me sentia grande. Era a única de sete crianças –eu tinha uma gang, pode acreditar -, que sabia como fazer bolinha de chiclete, e quando não conseguia só me restava grudar a borracha sem gosto no cabelo de algum infeliz.

Eu estou em branco, não posso ler minha mente, eu sou indefinida. Estou apenas começando, a caneta está em minha mão, terminando o não planejado.

Eu estou crescendo, mais um dia morreu – amanhã ele nasce não precisa ofegar sua respiração.


Vou ir pagar a conta de luz, mas antes vou passar em algum mercado qualquer e comprar um chiclete de tutti fruti - reze para você não cruzar o meu caminho ou pode acabar com um cadaver de chiclete e saliva no cabelo.

Um comentário :

Marcos Vinícius disse...

E como é difícil tirar um chiclete do cabelo. Já fui bombardeado em guerra de chiclete e acredite, levei muito "babalu" nos cabelos. Lembranças boas. Dizem que o melhor presente que um pai pode dar a um filho, é uma infância feliz.
Creio que as nossas, tenham sido as últimas a serem felizes de deixar saudade.
=)