21 outubro, 2008

Aqui jaz eu, uma humana que agora voa

O último dia da minha vida...
...ou o primeiro da minha morte.


Não espero a morte, como a maioria de vocês – não que eu seja tão presunçosa, na verdade sou mais do que aparento. Na verdade. Bem na verdade sou muito mais que tudo isso que aparento, mas como sou egoísta e só distribuo, de boa vontade ou não, o mínimo de mim. Bem de verdade, é só o mínimo. -, é a morte que me espera.

Eu busco a virgindade das coisas gastas.
Às vezes eu me pergunto, não eu não sei o porquê, o dia em que vou fugir desse mundo. Eu até penso em me dar presentes, depois eu mudo de idéia. Eu sinto como se já tivesse vivido milhões de anos, como se já conhecesse tudo isso, como se já soubesse no que tudo isso irá dar, como se já estivesse aqui antes de estar. Meu coração está cansado – e um coração de 17 anos não deveria estar nesse estado.
Acho bobagem tentar viver como se fosse o último dia da minha vida, o que eu tento fazer é preencher meu passado. As horas passam. Não me preocupo em tentar adivinhar quando será a ultima vez que estarei nesse lugar. Busco por uma nova chance, uma nova vida. Mas, não aqui. Definitivamente, não é aqui.

É o último dia da minha vida, eu fecho os olhos, tudo o que aparece são fotografias. Laranja. Fotografias laranja. Lembro-me de tempos atrás, quando eu achava que tudo tinha conserto, que o resto da minha vida podia ser remendado. E quando eu vejo, eu sinto, eu lembro – das coisas que vi, das coisas que senti, das que não tive-, eu tenho a certeza que eu até amei. A gente esquece dos sorrisos que deu durante a vida, das pessoas que maltratou e nunca teve sequer a chance de pedir desculpas. A gente finge que entende, finge que cresce, finge que esquece. Mas, o último dia será sempre o último. Esta é a verdade.

As pessoas me perguntam: para onde voce vai? Enquanto eu tento descobrir para onde eu fui. As duvidas são muito longas, eu sinto falta de tudo que não sou. Uma dica; ser muito mais que tudo isso só é menos do que eu poderia ser. Não escrevo para te convencer com minhas palavras, o que eu tento fazer é convencer a mim mesma. Grande trabalho. Sempre fui meio teimosa. A eternidade nunca aceitou bem isso, nem o agora.

Como é o último dia, vou viver. Quero ver para crer. Nada será tão perfeito, acredito que irei decepcionar a morte também. A coitada me espera para sua coleção, eu sou seu trabalho. Não que eu seja tão presunçosa – risos. É que me subestimo, e sem o mínimo esforço. Será que meu sucesso para fracassos irá continuar depois da vida? O que eu vou esperar da morte. Uso o silêncio, um dos deuses mais lindos.

Breve uma despedida. Nunca fui boa o suficiente. Nunca fui boa em dizer adeus. As pessoas por fim traduzem isso com meu olhar - humanos são péssimos tradutores, se diga de passagem. Detalhes, quem se importa com detalhes. Terei algumas satisfações ainda, não sei bem ao certo como e quando. Não vou voltar. Juro que não volto.
Não tenho um último pedido, não tenho nada. Mas, deixo. Deixo tudo. Eu não sou como vocês, não espero o dia da minha morte, mas o último dia da minha vida. Desta vida. Por quê? Ora, por que o último dia é o dia que se deve esperar. E o dia de sua morte é o dia que vale a pena viver. Realmente viver.


Qual será a cor do céu, quando aqui eu enterrar meus sonhos?

9 comentários :

Herr Schreiber disse...

O sonho da morte é a morte do sonho...

oposto de você disse...

que incrível.

Arllan disse...

É interessante como muitas vezes queremos reviver nosso passado, mas ao mesmo tempo supervalorizamos nosso presente.

' arcano disse...

E fugimos do nosso futuro.

Carolina disse...

Menina, ótimo as tuas palavras. Este texto é tão complexo.Um texto forte, de impacto, denso.Maravilhoso.
Aquela parte "Eu busco a virgindade das coisas gastas"... daonde você tira toda esta inspiração, garota!?
bjos meus

center of her own attention disse...

Do meu silêncio.

David Emanuel Carvalho disse...

posso te add aos meus favoritos? se sim, com que nome?

ARCANO disse...

David, não consegui acessar seu blog.

Ju disse...

tb sempre sinto falta das coisas que não vivi... mas sempre penso também que esse é o valor das que escolhi viver!
beijos
:)