20 dezembro, 2011

Pela pele

Passo todo dia dividindo meu presente com nosso passado, não critico mais o que me dói. Meus vícios já desistiram de mim, a falta de vontade é equivalente a todos os planos que eu tinha de ter uma vida melhor. Sua ausência me anula.

Nos separamos pela metade, suas gavetas ainda estão abertas, há muito de só no que antes era junto. Estou me esforçando para viver em paz, arrumo a casa como quem busca solução pra vida. A xícara vive cheia de mim, é na sala que completo minhas horas; você sabe que algo está errado quando a única mão que você segura é a do braço do sofá.

Não tenho competência para viver sem você, todas as expectativas deixam de funcionar quando não há ninguém para nos acompanhar. Começo a ditar a saudade pra não esquecer como se escreve teu nome, você já foi tantas vezes que me anestesiei de suas despedidas.

Pela pele nossas diferenças não existiam, os nossos corpos nunca discutiam. Mas, é engraçado esse jeito de sentir quando você insiste em me deixar para amanhã. Sou toda urgência, meu coração só sabe amar para ontem.

9 comentários :

Thays Ferreira disse...

Concordo com você, é tão bom não se sentir sozinha... Profundo.

Bárbara Silveira disse...

Que dom, moça. Suas palavras penetram no coração pra nunca mais sair.

Vivian Eugenio disse...

quando ha amor as diferenças nao importam, mas fazemos questao de nos importar

Gabriela Freitas disse...

Sempre com palavras que tocam a alma!

Ana Paula Monnerat. disse...

Também sou urgência, muito urgência.
E amei teu texto.
Novidade, né? Rsrsrs.

Um beijo.

Poeta da Colina disse...

o que sente não tem pausa.

Ana Flávia Sousa disse...

Que intensidade!
Sou assim também, meu coração ama pra ontem, desesperadamente urgente.

Ana C. disse...

passando pra deixar um beijo
desejar Luz
e dizer que foi bom passar o ano entre lindas palavras...

Biamarques disse...

Lembrei de uma crítica que martha medeiros fez para Carpinejar em seu livro que dizia que ele como um cronista era um ótimo Poeta. Bem, foi a primeira coisa que pensei quando li seu texto hoje. Senti a poesia em cada frase dessa linda história. Beijos, Bia.