27 março, 2008

Nove meses

Não venha com essas grandes idéias, elas não vão acontecer - só mais uma concepção sua.


Diga-me, quantas vezes já às pessoas te atormentaram com essa pergunta:
O que você vai ser quando crescer?’ – é. Perdi a conta de quantas vezes me abordaram com isso, e sabe o que é mais interessante? Eu sempre soube o que responder.
Sobra tanta falta de paciência, que me desespero. Sou alguém com espírito de velho – nunca respondi que gostaria de ser pop star, astronauta, cientista ou modelo.
As coisas vão acontecendo e você não tem nenhum controle sobre nada, o tempo esta se indo, quantas horas você dormiu hoje?
Então, nós esperamos nove meses ate chegarmos a isso aqui – esse mundo -, parece que ele nos degusta, sinto que ele se nutre de nossas almas. Pratique o desapego, o carrego dentro da bolsa.
Na nossa infância tudo é tão legal, até cair no chão e se ralar vira aventura. Quando adultos, podemos cair, mas é muito mais difícil de conseguirmos levantar – maldita gravidade.

Estou de saco cheio pra viver, muito nova pra morrer.

Voltando a mim, tudo o que eu sempre quis ser era livre. E essa sempre foi minha resposta. Quando cicrano, beltrano ou a amiga da minha avó me perguntavam o que eu gostaria de ser quando crescer, minha resposta era simples: quero poder fazer o que eu quiser – estarei disposta a pagar o preço da liberdade? Será que ela aceita cheque de terceiro?
Mas, menina... Você precisa se alimentar, ter dinheiro para sustentar os iates e jatinhos dos políticos, você precisa ter uma profissão!
Tudo bem, entendo. Aonde tem vestibular para nada? - a inundação de um ambiente insólito me faz transpirar, eu aprecio o nada.
Quem disse que eu preciso ser alguém para ser grande? Ou ser grande para ser alguém?
Poupem seus poucos neurônios de tentarem executar a impossível tarefa de enfadar-me, ok?
Mas, então posso ser uma medica livre?

Um poço de contradição, intensidade e sensibilidade. Não confunda minhas atitudes heterogênea
com egocentrismo – até porque ele ainda não esta em prática.
Eu sou tudo isso e não consegui ser nada, sinto que já estou ficando grande. As juntas de meus joelhos estão doloridas.
Eu sou um simulacro de idéias: alguém que está sempre mergulhando num abismo
sedutor procurando melancolias , tristezas , remorsos pois, assim acho respostas e me completo – bem, quase me completo. Ainda falta a tal da liberdade.

Não consigo suportar aquele tipo de pessoa que acha que é gente só porque tem pernas. Preciso ser fria e calculista, afinal não é só porque eu sobrevivo que quer dizer que eu to vivendo. Preciso me manter afastada de pessoas – e a medicina? Você terá que salvá-las minha cara.
Estou com medo do que vai acontecer daqui para frente, sim. Medo. Minhas pernas tremem e eu me afogo em lágrimas em cima dos livros. Tenho tantas expectativas para alcançar – sendo que a maioria nem são minhas -, porque de tudo isso?
Mas, o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui está preta. Com o qual ou sem o qual o mundo permanece tal e qual. Ou seja, ele não vai parar para eu poder me juntar.
A questão é que agora faltam nove meses para minha ‘maior idade’, uma quase independência, talvez a liberdade. Será que ela vai ser tudo que eu almejo e venero?
Enfim, esperei nove meses para nascer, o que custa esperar mais nove meses para poder entrar em qualquer festa?

A propósito, o que você vai ser quando crescer?