05 junho, 2008

Asas de papel machê

Meu mundo não é como o dos outros, quero demais, exijo demais, há em mim uma sede de infinito, uma angústia constante que nem mesmo eu compreendo, pois estou longe de ser uma pessimista; sou antes uma exaltada, com uma alma intensa, violenta, atormentada, uma alma que não se sente bem onde está e que tem saudade sei lá de que...Não me pergunte de onde eu venho nem aonde estou, não te direi para onde vou, aliás qualquer informação que você me pedir eu direi errado, adoro me divertir com a dúvida alheia.
Tento manter meus pés no chão, mas nada que eu faça poderá preencher todo esse vazio, nada que eu diga justificará tudo que quebrei, que deixei, que não fiz. Eu prefiro não saber quem eu sou. Não me importar com as pessoas. Com as outras pessoas. São somente elas. Eu não falo de dor, eu falo da angústia que é não sentir nada. Ou sentir tudo. E não saber o que fazer a respeito.

Qualquer caminho que eu decida seguir me levará até onde eu tenho que chegar. Contrapondo a maior parte das pessoas, tenho consciência da merda que sou, e não mascaro minha mediocridade com auto-afirmações. Sou assim, transparente. Quase invisível.
Não sou um conceito, sou só uma garota ferrada procurando por paz de espírito. Não sou perfeita. Você vai achar coisas, e vou ficar entediada e me sentir presa, pois é isso que acontece comigo. Eu estou presa. Eu sou presa. Só queria voar, é voar! Qual parte do V-O-A-R você não entendeu, infeliz?
Eu moro no teto do mundo. Eu pertenço ao vento. Eu quero bater na sua cara, de modo que você se sinta bem, mas só por alguns instantes e depois falta ar e você sinta frio. Escuto e esqueço, vejo e recordo, faço e entendo, nem sempre nessa ordem, nem sempre isso é verdade.

Portanto só queria saber quais são minhas chances, o que será de mim. Toda vez que tento brincar de anjo percebo que invadi esse mundo, que daqui eu não pertenço, deixo estar. Aqui temporariamente é meu lar. Deixo estar. Outro lugar só me fará continuar de pé, não posso voar. Não, assim como eu quero. É, voar mesmo. Pergunto-me se teria para onde ir, deixo estar e finjo que aqui é meu lugar. Alguém sabe onde posso conseguir asas?
Quando escrevo as palavras insistem em esbanjar uma charmosa sonoridade, elas pulam e se enterram no papel, e eu não sei o que fazer. Deveria saber? Eu então escrevo. Até quando continuarei assim? Não sei se busco algo fora ou dentro de mim, só sei que talvez você possa me salvar talvez me faça voar. Contenha-se. Eu disse talvez. Qual parte do T-A-L-V-E-Z você não entendeu, infeliz?
Vamos combinar que nada disso aconteceu - se mate, será menos pior do que quando eu o fizer.
Enquanto eu penso, tanto entendo que é mais fácil não pensar, o que era certo eu aprendi a sempre questionar. Não sei se eu serei tudo isso para sempre – entenda o tudo isso é um sacrifício -, eu não estou aqui agora, eu quase esteja. Preciso guardar todo esse papel e cola, de que me adianta asas de papel marche se elas não suportaram meu peso? Elas me tornaram um quase anjo. E vou te falar, de quase eu estou transbordando. Então, me deixe ser uma quase escritora. Uma quase imortal. Um quase alguém.

Nota da autora: Não aconselho fazer asas de papel e tentar pular do telhado da sua casa. Você não ira conseguir voar. Não conseguirá! Não tente isso em casa. Ok, ok. Não diga que não avisei.

7 comentários :

sylvia moss disse...

*_*
todos queriamos voar, me avise quando encontrar a técnica, e voce garota, não é uma "quase escritora" já é uma escritora completa!

Quando era criança também queria ter asas de anjo, também queria voar, ao longo do tempo fui percebendo que vália mais a pena (ou menos no caso, faço tudo ao contrário) ser vampiro...

Sonebald disse...

nem todos os que voam conseguem chegar mais alto.

eu costumo voar quando penso. é algo inquebrável que não se desfaz com o fato de eu não poder voar.

oi? :)

Homo sapiens disse...

Voar, aí uma coisa que eu sempre tive vontade de fazer. Desses quases que tanto citaste discordo de quase tudo. hahuahu. As suas asas de papel mache não te fizeram quase sair do chão, elas te fizeram voar, e voar bem alto, perto do sol e sem queimá-las.
Se você quiser asas pode falar comigo, eu descolo algumas huahuau.


p.s: é impressão minha ou mais alguém sentiu que o texto é direcionado especialmente à sua pessoa??


Beijos que vão voandoooo hauuha XD

Menina de óculos disse...

Olá, td bem? Passei pra retribuir a visita que vc fez ao blog A cor fucsia...vc tbm escreve muito bem...gostei daqui e vou voltarrr
:}
beijosss

du_Santus disse...

caraleooooooooo (com o perdão do xingamento)

nossa, tem dias q to tentando expressar como tenho me sentido e ao ler seu texto me idenfiquei desde a primeira linha. é bom saber q não sou o único que se sente deslocado... se bem q nem sei ao certo se é bom ou não ser o único... enfim...

adorei o texto! mto bom!
bjss!

Cynthia disse...

É "machê", não "marche".

lilia disse...
Este comentário foi removido pelo autor.