28 maio, 2008

Vamos fazer amor?

Tem pouco espaço aqui. Deixe-me resmungar as coisas que acho que sei. Veja e sinta as coisas como se elas fossem o que realmente são: passageiras. Calendários me irritam, é estranho. Sinto-me como se incomodasse cada vez que lembro de algo que me fez bem ou que me fez sorrir. Tudo bem que foram poucos casos, mas foram tão intensos. Cara, eu sou uma mortal! Isso quer dizer que você não precisa me fazer sangrar para saber que eu estou viva.
Suponho que irei lhe decepcionar, esse quase texto não ira te ensinar a como chegar ao orgasmo e conseguir mantê-lo por mais de 10 segundos, não te dará instruções de como persuadir sua vizinha para levá-la para cama ou o que fazer quando seus pais te pegam transando no sofá da casa da tia Benedita – porra, você não sabe que nunca se transa no sofá de sua tia? -, vou abordar aqui o que me atormenta mais, aquilo que me faz ser um pouco miserável, minha farsa de cada dia, meu objetivo bento: o amor.

As palavras certas não existem no universo inteiro. E o que me faz pensar que eu poderei roubar a certeza das palavras? É. Oi, sou uma fracassada. Nunca tive sucesso em paixões, nunca amei alguém. Já escrevi cartas e chorei. Já imaginei beijos e sessões da tarde. Já quis ser única e especial para alguém. Mas, faz tempo. As pessoas que pensam que me conhecem dizem que eu preciso me apaixonar de novo. Talvez eu precise, a questão é que eu nunca escuto ninguém. Adoro ser manipulada. E mesmo que escutasse não vou sair por ai usando uma camiseta estampada com algo do tipo: “Fique comigo, pois é o mais perto que você chegará do céu”, “Meu beijo é uma delicia! Você deveria experimentar”, “Por favor, se apaixone por mim, prometo pagar minha parte em todos os encontros”. Nem pense que colocarei anuncio no jornal ou que sairei na rua desesperada atrás da minha alma gêmea. Isso dá trabalho. Se apaixonar cansa. Amar dá trabalho. Ok, eu não agüento mais esse tédio, você acha que a camiseta deveria ser verde ou amarela?
Calma Luara!- não tenho esse tipo de obsessão não, diabos... Li o suficiente pra saber como viver depois de uma guerra civil, um Armageddon, coração partido, chute na bunda, fora, invasão alienígena e seqüestro relâmpago e outras catástrofes relacionadas.
Mas, também aprendi que amor não se conjuga no passado, ou você ama pra sempre ou nunca se amou de verdade. Amar pela metade é tão dolorido e cretino tal como fugir do amor, no entanto na minha situação não posso apelar, prefiro ser a cretina covarde que não ama porque foge. Não que eu não saiba amar, eu só não sei como executar o amor. E não sirvo pra amar pela metade.
Penso: quando você não tem amor, você ainda tem as estradas.

O amor é uma espécie de preconceito. A gente ama o que precisa, ama o que faz sentir bem, ama o que é conveniente. Como pode dizer que ama uma pessoa quando há dez mil outras no mundo que você amaria mais se conhecesse? Mas a gente nunca conhece. Então é como se cada desconhecido fosse um amor que ainda não conhecemos - as pessoas confundem simpatia com quase amor. Amor é banal, é inevitável, tudo ele suporta, tudo ele perdoa, tudo ele espera. Distante o meu amor, se me afigura. O amor como um patético tormento, pensar nele é morrer de desventura, não pensar é matar meu pensamento.
Não sou sujeita a um amor indigno, e muito menos pessoas que tratam o amor do jeito mais feliz o possível, o amor é algo por qual eu já não quero viver, ele machuca mais que qualquer coisa no mundo, assim como todos acham que é lindo, eu acho repugnante – sim, e sou uma fracassada. O relacionamento é apenas o que fazemos dele. Sem isso, não é mais que um monte de hipocrisias. Fraudes e falatórios. Porque convenhamos, ultimamente o amor dura tanto quanto ofertas das Casas Bahia, depois de algumas trocas, mútuas ou não, vira só um relacionamento. Mas, se existir amor realmente (o amor não existe. Existe atração sexual.), daquele tipo que se sabe e se demonstra – falo de manifestações públicas de afeto, músicas, poesias, flores e encontros “ao acaso”, que fique claro. Se vier acompanhando de um belo bíceps e sorriso encantador, digamos que as coisas melhoram -, que se sente e que te faz ser a pessoa mais idiota da face da Terra, que me faça não conseguir tirar os olhos do individuo, que me faça sorrir feito boba... Ai ai, por favor se você souber como me avise. Me de a receita e vamos fazer amor.
Precisamos prestar atenção, quem não sabe o que procura, não dá valor ao que encontra. Coincidência é um termo usado por tolos e mentirosos. Todos mentem por uma razão e razões é o que não faltam. O coração é o pêndulo universal de todos os ritmos, a mentira dança no seu ritmo, a saudade senta, o amor rebola. Talvez eu possa ser uma desconhecida – oi, você quer se apaixonar por mim? -, preciso que alguém se apaixone. Não quero ficar para “titia”, não quero ficar para tia Benedita! Juro que se você transar no sofá da minha sala, você irá se arrepender. E eu falo sério.

P.s.: nunca ame a outra pessoa realmente além da do relacionamento anterior;

P.s.s.: e os bêbados, calem a boca! Não quero rimas de amor.

6 comentários :

Anônimo disse...

Amor.. é um TER com quem nos mata. ;x

' arcano disse...

eu acho que estou apaixonada pelo anonimo (:
apareça e divido minhas JUJUBAS com vc *-*

' arcano disse...

pensando bem nao fas diferença, eu sou egoista demais (:

sylvia moss disse...

(hahahaha adorei a conversa aí de cima!)

*.*
Ultimamente costumo dizer: "quando não existe qualidade, aceito quantidade"
mas não me de ouvidos, sou possivelmente, neste angulo, a mais fracassada entre os fracassados!
:D

Ghost of a good thing disse...

''Precisamos prestar atenção, quem não sabe o que procura, não dá valor ao que encontra. Coincidência é um termo usado por tolos e mentirosos. Todos mentem por uma razão e razões é o que não faltam.''



A gente sempre acha que o mais qualificado é o que está mais arrumadinho e perto :D

Fernando Rozano disse...

texto denso, forte, de muita intensidade e, sobretudo, lúcido. escreves com muita naturalidade. gostei muito. abraço.